segunda-feira, 20 de setembro de 2010

José Saramago

A notícia de que José Saramago não estava mais entre nós, pobres mortais, abalou-me profundamente. Nunca pensei que por alguma razão me sentiria tão ligada aquele autor que há tempos ouvira falar, mas que há pouco me conquistara.

“Faleceu hoje José Saramago, o único Nobel da Língua Portuguesa”, assim li e não quis acreditar. Todos os jornais repetiam o mesmo e era um fato: Saramago deixou de estar, pelo menos, a esse mundo já não pertence - O autor de Caim nos deixou. Esse brilhante homem que se foi aos seus 87 anos. Saramago deixou um legado de ideias socialistas, foi um homem que lutou contra a “democracia” que hoje mergulhamos e essa globalização que, ao seu ver, aproxima-se mais de um regime totalitarista.

Saramago: “Foi-se o homem, mas ficou a obra”.

Eu, como muitos, sinto-me ligada a Saramago. Talvez porque vejo na sua inteligência, na ousadia das suas palavras, na sua luta árdua contra esse sistema político e económico global uma esperança para a mudança e uma crença enorme na palavra do povo.

Hoje a vontade é te descobrir, é te “devorar”. É aprender contigo a ter uma visão geral do mundo, é lutar contra essas tolices do capitalismo e neo-liberalismo e pedir mais igualdade. Ser-se tolerante, ser perspicaz e ter um prazer pelo mundo que nós temos. É amar a vida, afinal, Saramago foi um eterno enamorado da vida.

É criticar o que não agrada, é ter uma opinião formada e falar para ser ouvido, afinal, tu eras ouvido e ainda és e sempre serás, Saramago!

Eu te agradeço pelos teus romances! Por Caim que foi apaixonante folheá-lo, lê-lo sem pausa, relê-lo, afinal, como fiquei indignada com esse Deus que também nele não acredito. Obrigada pela tua visão política, pelas tuas duras criticas aos poderosos e a Poderosa Santíssima Trindade.


A minha dor acompanhou-te e acompanha-te.


Naiara Soares

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