Exprimir sentimentos de 180 milhões de canarinhos, de gente que se mexe e remexe ao som de um belo samba ou “é som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado”, é uma tarefa extremamente difícil, devido a enorme diversidade cultural brasileira.
O Norte com os seus Bois Bumbás, Garantido e Caprichoso, a Bahia que tem, desde o rebolado do Xandi, Harmonia do Samba, até a explosão que é a Sangalo! Isto para não chegar aos grandes, ou seja, Caetano, Gilberto Gil, Maria Bethania, Gal Costa, Carlinhos Brown…Ah, grandes nomes da minha, da nossa música brasileira!
Temos que falar também de Zeca Baleiro, Lenine, Chico César, Raimundo Fagner, Vinícius Cantuária, Nei Matogrosso. Falemos e exaltemos Seu Jorge, Gonzaguinha, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Tim Maia, Elís Regina, Maria Rita, Marisa Monte, Ed Mota, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Vanessa da Mata… e os que não conheço…
Citamos Skank, Barão Vermelho, Cidade Negra, Nação Zumbi, Tom Zé, Zélia Duncan, Ana Carolina, a incrível Rita Lee! Não, não esquecerei da Cássia Eller, Cazuza, Renato Russo, Raul Seixas… Afinal, eles criaram até mesmo na minha geração uma ideologia!
Charles Brown Júnior, Rappa que eu tanto gosto e são uns dos representantes do Rock brasileiro! Falemos de Marcelo D2, como não? Acordamos Brasil, seremos uma país que deva legalizar? Ele briga. Hoje tem um filho a educar, no entanto, continua D2! Não que seja apologista, mas admiro sua liberdade de expressão num país tão católico e preconceituoso!
Gabriel, o Pensador…Pensa, Gabriel, nesse Brasil corrupção!
Antes de mais, O Boi- Bumbá nasceu no Nordeste brasileiro, mas disseminou-se por quase todos os estados do Norte do País, em especial no Amazonas, que atualmente é visitado por milhares de turistas que se dirigem para a Ilha de Parintins (terra dos meus avós, dos meus pais, dos meus tios, de dois irmãos e alguns primos), onde se realiza anualmente o famoso Festival Folclórico de Parintins, nos dias 28, 29 e 30 de Junho…
O Boi tem suas raízes indígenas, assim como figuras mitológicas, por exemplo, os pajés e feiticeiros. Esta manifestação cultural leva com que a Ilha de Parintins seja durante estes três dias de festival conhecida como “Ilha da Fantasia”. As cores vermelho e branco e azul e branco representam os respectivos bois, Garantido e Caprichoso, que tomam conta do bumbódromo (espécie de arena construída especialmente para os dias do festival) e também são responsáveis pela divisão da Ilha de Parintins, uma vez que as casas são enfeitadas de acordo com o boi preferido da família. O som típico do boi fica por conta das toadas com batuques de tambores, repiques, caixinhas e surdos.
As apresentações dos bois, em Parintins, desenvolvem-se de acordo com o enredo que conta a história do negro Pai Francisco, vaqueiro de uma fazenda e cuja mulher, Dona Catirina, estava grávida. O estado da mulher causou-lhe o desejo de comer a língua do boi mais estimado do patrão. Para que o filho não nascesse com cara de língua de boi , o jeito foi satisfazer o desejo da mulher. Então, segundo o enredo, Pai Francisco mata o boi. O amo descobre e manda os índios caçarem Pai Francisco, que busca um pajé para fazer ressuscitar o boi. Este renasce e tudo vira uma grande festa. Portanto, o espetáculo que leva duas horas para cada boi por noite tem figuras típicas como Pai Francisco, Mãe Catirina, Tuxáuas (chefes das tribos), Cunhã- Poranga (moça bonita), Pajés e diversas tribos indígenas que cantam e dançam ao som alucinante e contagiante das toadas, antigamente composta por pessoas muito simples, como, por exemplo, os pescadores do Garantido, o boi dos pobres e que hoje se tornaram concurso de fama para muitos jovens compositores. Hoje, o Boi-Bumbá goza de outro estatuto.
O espetáculo se transforma numa batalha folclórica (a rivalidade entre os bois é o que marca o festival), onde os guerreiros são simpatizantes dos Bumbás Garantido e Caprichoso. Eles encenam um verdadeiro ritual festivo que encanta e emociona. São belas mulheres e homens caboclos, luxo, fantasia e muita coreografia.
“Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão” é o Garantido entrando no bumbódramo. Ele é vencedor em títulos, em 88 anos de existência, já conquistou 22 títulos e foi fundando em 1813. Também o Garantido é conhecido como o “Boi do Povão”.
O Caprichoso já conquistou 15 títulos e foi fundando no mesmo ano em que o boi Garantido. A sua marca é a valorização das suas raízes culturais, que transforma as suas apresentações em uma brincadeira folclórica, onde resgata as suas tradições ao voltar a dançar em frente das casas como faziam antigamente. Esse boi é conhecido como o “Boi da Elite”. Como se vê, até nas danças populares está estabelecida a divisão social.
Os passos do boi eram dois pra lá e dois pra cá! Hoje eles têm as suas coreografias próprias e as suas canções, que, no geral, tratam do amor pelo seu boi, da história, dos feitos dos antigos, das lendas e mitos da região e algumas de protesto político.
Finalizando e para saciar a curiosidade de uns, sou GARANTIDA, ou seja, meu sangue é vermelho! Balanço e vibro com a entrada do vermelho e branco na arena do Bumbódramo, torço arduamente na contagem dos votos e critico fortemente quando o meu boi não desfila lindamente!
Voltando agora a inspiração inicial do texto, a música brasileira na sua generalidade, acredito que nós brasileiros falamos através das suas letras, gingamos de acordo com a sua melodia, sentimos e nos revelamos ao ouvi-la e, ainda que desafinados, cantamo-la como se fôssemos todos grandes cantores.
A música acompanha-me, dá-me forças para ir em frente, inspiração para não desistir e motivos de sobra para me encantar! Sou nacionalista, idolatro a música brasileira e para mim, sem dúvidas, é a melhor música do mundo…
Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Dudu Nobre… saio de cenário sem esquecê-los! Não posso deixar de privilegiá-los, afinal, “é devagar, é devagar, devagarinho” e “debaixo do céu, por cima do chão qualquer lugar pra mim tá bom”.
Naiara Soares
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