quarta-feira, 9 de junho de 2010

pet airline- o outro lado da crise

Na última semana foi inaugurado, de acordo com o que foi divulgado pela imprensa internacional, a Pet Airline, nos Estados Unidos da América (EUA), operando para cinco destinos diferentes (vôos domésticos) e já com lotação esgotada para os próximos dois meses.

Esta notícia, em tempos de crise, me pareceu absurda, pelo fato de que os EUA são um país que, apesar de ser a grande potência económica mundial , foi o primeiro a sentir verdadeiramente o colapso econômico e a revelar as fragilidades do sistema neoliberal.

Sei, como todos os demais, do poderio americano, porém, a realidade global é outra, ou seja, as conjunturas não pedem tipos de investimentos, apostas, financiamentos supérfluos e totalmente inúteis. Por outro lado:

(…) Sabemos que nada é negativo em si mesmo, assim como sabemos que é também sábio aquele que tira proveito dos momentos difíceis. Assim sendo, estende-se diante dos nossos olhos um cenário estimulante para a criação (…)[1]

Vejamos: a crise apresentou os seus primeiros sinais com a falência do banco de investimentos americano Lehmmans Brothers, seguidamente, é a vez da American International Group (AIG), maior empresa seguradora dos EUA., o que fez com que o governo investisse oitenta e cinco bilhões de dolares do dinheiro público. Para evitar mais desastres, as agências de créditos imobiliários passaram a ser controlados pelo mesmo governo.

Em poucos semanas, a crise alastrou-se: a Islândia viu-se obrigada a estatizar o maior banco do país. Nesta onda, outras instutições financeiras suíças, alemães, francesas, dentre outras, anunciaram perdas bilionárias.

Sem grandes detalhes sobre a propagação dessa crise, passamos às consequências: o desemprego cresce de dia para dia- É comum, hoje, ouvirmos relatos de quem tudo tinha e que, de um momento para outro, foi-lhes tirado, “escapou-lhes entre os dedos”. Os trabalhadores, sem outros meios, realizam manifestações em diversos países da Europa, sobretudo na França. Estes, revoltados, porque viram-se de um momento para o outro desempregados e sem indenizações. Para estas pessoas, a pergunta é muito simples: como alimentar, vestir, educar, etc e tal os “futuros dos mundo”?

Enfim, a taxa de desemprego nos EUA é alarmante e tende a aumentar até o final do ano, chegando aos 10%, de acordo com as previsões. O sistema de saúde de lá é baseado no seguro-saúde-privado, o que significa dizer que não é um bem para todos.

Agora, voltemos aos sábios investidores. Quanto a estes, temos que admitir que a Pet Airline foi uma visão de marketing e um apelo sentimental, digamos assim, pois há quem ache que os seus animais de estimação são gente como a gente, que não devem ser confundidos com bagagens, mas sim como um membro da família (como diz a americana do vídeo abaixo). Quanto a isso, eu não discordo, muito pelo contrário, façamos nossos laços com cachorros, macacos, éguas e cavalos, mas daí a tal investimento absurdo e bilionário, devemos ser críticos.

Ok, tenho que concordar também que essa empresa, que levará os pets para visitinhas aos amigos, reencontro com a família, fins de semanas luxuosos em Miami ou comprinhas em Nova York gerará empregos. Porém, por que não outro ramo? Por que, como já foi referido acima, a crise é estimulante para a criação?

PS: Espero não ofender os direitos dos animais.

Naiara Soares

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