sábado, 25 de setembro de 2010

A partida- o Adeus.



O simples estar sempre diante de outras pessoas, estar presente em certos lugares por um determinado período de tempo. Encontrar-se e desencontrar-se : O grande dilema de estar vivo.

Quando, exatamente, eu me dou conta do encontrar, o quê significa "encontrar-se"?

Talvez seja a plena realização do eu com o meio que me rodeia, tal como com as pessoas. Essa realização pessoal que, como ser humano, é sempre algo bastante desejada, mas algo instável e demasiado inconstante.

E devido a essa instabilidade ou a constante procura que o ser humano tem dentro de si mesmo por algo que muitas vezes não existe, ou seja, um ideal platónico, digamos assim, caí no desencontro que poderá levar a outros lugares, logo a outras pessoas, portanto, a um novo meio social.

Assim são os ciclos da vida- Assim há o Adeus, o até logo que causam a dor mas que nos trazem mais experiências, mais maturidade, mais saudade.

A saudade! Demasiada saudade que destrói, mas ao mesmo tempo faz do ser humano demasiado humano.

Esse texto é dedicado a esse momento especial que estou vivendo, a hora, mais uma vez, da partida. E com essa partida ficam pessoas que foram absolutamente importantes nessa fase de conhecimento, troca, doação e abertura para esse mundo, que outrora foi novo para mim.

É difícil tornar-se demasiado humana a custa da dor, mas o fato de nós sermos humanos e o fato de sermos insaciáveis leva-nos a buscar o desejável a todo lado.

Fica aqui a saudade que desde já sinto.

Naiara Soares

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

José Saramago

A notícia de que José Saramago não estava mais entre nós, pobres mortais, abalou-me profundamente. Nunca pensei que por alguma razão me sentiria tão ligada aquele autor que há tempos ouvira falar, mas que há pouco me conquistara.

“Faleceu hoje José Saramago, o único Nobel da Língua Portuguesa”, assim li e não quis acreditar. Todos os jornais repetiam o mesmo e era um fato: Saramago deixou de estar, pelo menos, a esse mundo já não pertence - O autor de Caim nos deixou. Esse brilhante homem que se foi aos seus 87 anos. Saramago deixou um legado de ideias socialistas, foi um homem que lutou contra a “democracia” que hoje mergulhamos e essa globalização que, ao seu ver, aproxima-se mais de um regime totalitarista.

Saramago: “Foi-se o homem, mas ficou a obra”.

Eu, como muitos, sinto-me ligada a Saramago. Talvez porque vejo na sua inteligência, na ousadia das suas palavras, na sua luta árdua contra esse sistema político e económico global uma esperança para a mudança e uma crença enorme na palavra do povo.

Hoje a vontade é te descobrir, é te “devorar”. É aprender contigo a ter uma visão geral do mundo, é lutar contra essas tolices do capitalismo e neo-liberalismo e pedir mais igualdade. Ser-se tolerante, ser perspicaz e ter um prazer pelo mundo que nós temos. É amar a vida, afinal, Saramago foi um eterno enamorado da vida.

É criticar o que não agrada, é ter uma opinião formada e falar para ser ouvido, afinal, tu eras ouvido e ainda és e sempre serás, Saramago!

Eu te agradeço pelos teus romances! Por Caim que foi apaixonante folheá-lo, lê-lo sem pausa, relê-lo, afinal, como fiquei indignada com esse Deus que também nele não acredito. Obrigada pela tua visão política, pelas tuas duras criticas aos poderosos e a Poderosa Santíssima Trindade.


A minha dor acompanhou-te e acompanha-te.


Naiara Soares

sábado, 12 de junho de 2010

..Descontrariando...

Só para descontrair


A empolgação toma conta de mim porque o ato de escrever faz com que eu reflita ainda mais sobre a minha vida, sobre o meu passado, que não tem jeito mudar, mas que ajuda a construir um futuro e encarar sem medo o presente.

Não quis dizer que quero mudar o passado, não, mas assim como todos os mortais, cometi erros bobos que quando penso neles hoje, é como se eu não fosse aquela que os cometeu, porém, essa reflexão que é uma constatação do meu passado, deixa-me uma certeza: Eu sou múltipla; cada ser humano é múltiplo e que as nossas ações dependem das situações e como diz Ortega y Gasset "O homem é as suas circunstâncias", portanto, nos reconhecemos nelas, para ser exata, as nossas ações diante do mundo e de nós mesmos nos fazem ser exatamente o que somos.
Assim é!



Minha vida tem caminhado longe das pessoas que amo, mas com eles sempre presente nos meus pensamentos, no meu cheiro e na minha ambição… Eu vou!

Hoje em Amsterdam e amanhã ninguém sabe, mas a minha intenção maior é continuar nessa cidade meia louca, meia normal, meia liberal, meia conservadora, meia de todo mundo… Porém, antes disso tenho que retornar ao lugar que tenho algumas coisas inacabadas, o que é mal, mas o bom é ter a consciência que é preciso pôr um ponto final nelas para poder seguir adiante e nada está perdido, muito pelo contrário, estou mais decidida e com a vontade mesmo de colocar a mão na massa e finalizar uma fase da minha vida que já deu o que tinha que dá.Enfim, o que falar? Tudo continua seguindo a ordem natural do Homem…

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Eva de Max Liebermann




À direita sem ninguém apreciando-a. Sozinha num canto tão solitário. As suas bochechas rosadas e meio caídas fazem com que ninguém fique indiferente ao seu chamamento…

Deparei-me com ela num momento em que estava tão abstraída do meu ser que a sua expressão chocou-me, ou melhor, parei perplexa diante da sua figura, do seu olhar triste, do seu posicionamento tão carente. Será Eva carente? Que sentirá ela?

Olha sua cabeça meio baixa! Terá medo ou será tímida? Sua boca pequena, seu nariz perfeito, seus cabelinhos loiros… Ela está toda de preto e rosa, será outono, inverno? Eu vejo um pouco de sorriso nos seus lábios, mas talvez é porque esteja encantada com essa menina que se olharmos bem tem alguns traços de uma pessoa velha! Será ela sofrida?



Essa pequena que tanto encantou-me, Eva (Dutch Farm Girl), é uma obra de arte de Max Liebermann, pintor impressionista alemão de origem judia que esteve à frente do movimento vanguarda alemão.

Em homenagem a esse pintor, na cidade de Berlin é possível encontrar um museu em seu nome com suas obras e seus pessoais.

Naiara Soares

quarta-feira, 9 de junho de 2010

TEMPO

Nem sempre tenho vontade de escrever ou inspiração! Talvez porque a minha vida não anda tão emocionante e eu não estou tão curiosa para ler, reflectir e expor as minhas ideias ou somente compartilhar umas notícias com os demais… Infelizmente, estamos a mercê do nosso dom de expressar-se!

Porém, acho que há que o tempo é necessário para reflectir, para crescer nas ideias e naquilo que nos realmente interessa! E hoje eu sei aonde está o foco ou os focos que me despertam interesse e por que não expandi-los?

Enfim, aqui voltei! Os textos anteriores são do meu antigo blog, afinal, nada de novo por aí, mas os seguintes são atuais e eu continuo escrevendo sobre tudo, ou seja, tudo que me interessa: arte, política, futebol…etc!!!!!

Espero APENAS que me satisfaçam…

Naiara

pet airline- o outro lado da crise

Na última semana foi inaugurado, de acordo com o que foi divulgado pela imprensa internacional, a Pet Airline, nos Estados Unidos da América (EUA), operando para cinco destinos diferentes (vôos domésticos) e já com lotação esgotada para os próximos dois meses.

Esta notícia, em tempos de crise, me pareceu absurda, pelo fato de que os EUA são um país que, apesar de ser a grande potência económica mundial , foi o primeiro a sentir verdadeiramente o colapso econômico e a revelar as fragilidades do sistema neoliberal.

Sei, como todos os demais, do poderio americano, porém, a realidade global é outra, ou seja, as conjunturas não pedem tipos de investimentos, apostas, financiamentos supérfluos e totalmente inúteis. Por outro lado:

(…) Sabemos que nada é negativo em si mesmo, assim como sabemos que é também sábio aquele que tira proveito dos momentos difíceis. Assim sendo, estende-se diante dos nossos olhos um cenário estimulante para a criação (…)[1]

Vejamos: a crise apresentou os seus primeiros sinais com a falência do banco de investimentos americano Lehmmans Brothers, seguidamente, é a vez da American International Group (AIG), maior empresa seguradora dos EUA., o que fez com que o governo investisse oitenta e cinco bilhões de dolares do dinheiro público. Para evitar mais desastres, as agências de créditos imobiliários passaram a ser controlados pelo mesmo governo.

Em poucos semanas, a crise alastrou-se: a Islândia viu-se obrigada a estatizar o maior banco do país. Nesta onda, outras instutições financeiras suíças, alemães, francesas, dentre outras, anunciaram perdas bilionárias.

Sem grandes detalhes sobre a propagação dessa crise, passamos às consequências: o desemprego cresce de dia para dia- É comum, hoje, ouvirmos relatos de quem tudo tinha e que, de um momento para outro, foi-lhes tirado, “escapou-lhes entre os dedos”. Os trabalhadores, sem outros meios, realizam manifestações em diversos países da Europa, sobretudo na França. Estes, revoltados, porque viram-se de um momento para o outro desempregados e sem indenizações. Para estas pessoas, a pergunta é muito simples: como alimentar, vestir, educar, etc e tal os “futuros dos mundo”?

Enfim, a taxa de desemprego nos EUA é alarmante e tende a aumentar até o final do ano, chegando aos 10%, de acordo com as previsões. O sistema de saúde de lá é baseado no seguro-saúde-privado, o que significa dizer que não é um bem para todos.

Agora, voltemos aos sábios investidores. Quanto a estes, temos que admitir que a Pet Airline foi uma visão de marketing e um apelo sentimental, digamos assim, pois há quem ache que os seus animais de estimação são gente como a gente, que não devem ser confundidos com bagagens, mas sim como um membro da família (como diz a americana do vídeo abaixo). Quanto a isso, eu não discordo, muito pelo contrário, façamos nossos laços com cachorros, macacos, éguas e cavalos, mas daí a tal investimento absurdo e bilionário, devemos ser críticos.

Ok, tenho que concordar também que essa empresa, que levará os pets para visitinhas aos amigos, reencontro com a família, fins de semanas luxuosos em Miami ou comprinhas em Nova York gerará empregos. Porém, por que não outro ramo? Por que, como já foi referido acima, a crise é estimulante para a criação?

PS: Espero não ofender os direitos dos animais.

Naiara Soares

ao som do batuque

Exprimir sentimentos de 180 milhões de canarinhos, de gente que se mexe e remexe ao som de um belo samba ou “é som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado”, é uma tarefa extremamente difícil, devido a enorme diversidade cultural brasileira.

O Norte com os seus Bois Bumbás, Garantido e Caprichoso, a Bahia que tem, desde o rebolado do Xandi, Harmonia do Samba, até a explosão que é a Sangalo! Isto para não chegar aos grandes, ou seja, Caetano, Gilberto Gil, Maria Bethania, Gal Costa, Carlinhos Brown…Ah, grandes nomes da minha, da nossa música brasileira!
Temos que falar também de Zeca Baleiro, Lenine, Chico César, Raimundo Fagner, Vinícius Cantuária, Nei Matogrosso. Falemos e exaltemos Seu Jorge, Gonzaguinha, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Tim Maia, Elís Regina, Maria Rita, Marisa Monte, Ed Mota, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Vanessa da Mata… e os que não conheço…
Citamos Skank, Barão Vermelho, Cidade Negra, Nação Zumbi, Tom Zé, Zélia Duncan, Ana Carolina, a incrível Rita Lee! Não, não esquecerei da Cássia Eller, Cazuza, Renato Russo, Raul Seixas… Afinal, eles criaram até mesmo na minha geração uma ideologia!
Charles Brown Júnior, Rappa que eu tanto gosto e são uns dos representantes do Rock brasileiro! Falemos de Marcelo D2, como não? Acordamos Brasil, seremos uma país que deva legalizar? Ele briga. Hoje tem um filho a educar, no entanto, continua D2! Não que seja apologista, mas admiro sua liberdade de expressão num país tão católico e preconceituoso!
Gabriel, o Pensador…Pensa, Gabriel, nesse Brasil corrupção!

Realçar a música e o festival folclórico que contagia o meu estado e que não são tão conhecidos mundialmente e nem mesmo dentro do Brasil, afinal somos uma República Federativa formada pela união de 26 estados federados, com a quinta população do mundo e também a quinta maior área do mundo, é o que aqui me proponho. No entanto, a divisão administrativa não é motivo suficiente para tal, mas creio que a distância do Amazonas em relação aos outros estados brasileiros deve ser tida em conta, também o fato de sermos conhecidos mundialmente pelo Carnaval, pelo samba, afinal, qual brasileira não nasceu com samba no pé? Enfim, devido a isso, escreverei sobre a minhas raízes indígenas, o ritmo que acompanha todo amazonense desde o berço, o Boi Bumbá!

Antes de mais, O Boi- Bumbá nasceu no Nordeste brasileiro, mas disseminou-se por quase todos os estados do Norte do País, em especial no Amazonas, que atualmente é visitado por milhares de turistas que se dirigem para a Ilha de Parintins (terra dos meus avós, dos meus pais, dos meus tios, de dois irmãos e alguns primos), onde se realiza anualmente o famoso Festival Folclórico de Parintins, nos dias 28, 29 e 30 de Junho…


O Boi tem suas raízes indígenas, assim como figuras mitológicas, por exemplo, os pajés e feiticeiros. Esta manifestação cultural leva com que a Ilha de Parintins seja durante estes três dias de festival conhecida como “Ilha da Fantasia”. As cores vermelho e branco e azul e branco representam os respectivos bois, Garantido e Caprichoso, que tomam conta do bumbódromo (espécie de arena construída especialmente para os dias do festival) e também são responsáveis pela divisão da Ilha de Parintins, uma vez que as casas são enfeitadas de acordo com o boi preferido da família. O som típico do boi fica por conta das toadas com batuques de tambores, repiques, caixinhas e surdos.
As apresentações dos bois, em Parintins, desenvolvem-se de acordo com o enredo que conta a história do negro Pai Francisco, vaqueiro de uma fazenda e cuja mulher, Dona Catirina, estava grávida. O estado da mulher causou-lhe o desejo de comer a língua do boi mais estimado do patrão. Para que o filho não nascesse com cara de língua de boi , o jeito foi satisfazer o desejo da mulher. Então, segundo o enredo, Pai Francisco mata o boi. O amo descobre e manda os índios caçarem Pai Francisco, que busca um pajé para fazer ressuscitar o boi. Este renasce e tudo vira uma grande festa. Portanto, o espetáculo que leva duas horas para cada boi por noite tem figuras típicas como Pai Francisco, Mãe Catirina, Tuxáuas (chefes das tribos), Cunhã- Poranga (moça bonita), Pajés e diversas tribos indígenas que cantam e dançam ao som alucinante e contagiante das toadas, antigamente composta por pessoas muito simples, como, por exemplo, os pescadores do Garantido, o boi dos pobres e que hoje se tornaram concurso de fama para muitos jovens compositores. Hoje, o Boi-Bumbá goza de outro estatuto.

O espetáculo se transforma numa batalha folclórica (a rivalidade entre os bois é o que marca o festival), onde os guerreiros são simpatizantes dos Bumbás Garantido e Caprichoso. Eles encenam um verdadeiro ritual festivo que encanta e emociona. São belas mulheres e homens caboclos, luxo, fantasia e muita coreografia.

“Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão” é o Garantido entrando no bumbódramo. Ele é vencedor em títulos, em 88 anos de existência, já conquistou 22 títulos e foi fundando em 1813. Também o Garantido é conhecido como o “Boi do Povão”.

O Caprichoso já conquistou 15 títulos e foi fundando no mesmo ano em que o boi Garantido. A sua marca é a valorização das suas raízes culturais, que transforma as suas apresentações em uma brincadeira folclórica, onde resgata as suas tradições ao voltar a dançar em frente das casas como faziam antigamente. Esse boi é conhecido como o “Boi da Elite”. Como se vê, até nas danças populares está estabelecida a divisão social.

Os passos do boi eram dois pra lá e dois pra cá! Hoje eles têm as suas coreografias próprias e as suas canções, que, no geral, tratam do amor pelo seu boi, da história, dos feitos dos antigos, das lendas e mitos da região e algumas de protesto político.

Finalizando e para saciar a curiosidade de uns, sou GARANTIDA, ou seja, meu sangue é vermelho! Balanço e vibro com a entrada do vermelho e branco na arena do Bumbódramo, torço arduamente na contagem dos votos e critico fortemente quando o meu boi não desfila lindamente!

Voltando agora a inspiração inicial do texto, a música brasileira na sua generalidade, acredito que nós brasileiros falamos através das suas letras, gingamos de acordo com a sua melodia, sentimos e nos revelamos ao ouvi-la e, ainda que desafinados, cantamo-la como se fôssemos todos grandes cantores.
A música acompanha-me, dá-me forças para ir em frente, inspiração para não desistir e motivos de sobra para me encantar! Sou nacionalista, idolatro a música brasileira e para mim, sem dúvidas, é a melhor música do mundo…
Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Dudu Nobre… saio de cenário sem esquecê-los! Não posso deixar de privilegiá-los, afinal, “é devagar, é devagar, devagarinho” e “debaixo do céu, por cima do chão qualquer lugar pra mim tá bom”.

Naiara Soares

A história rima: Rivaldo e Ronaldo


Não é preciso ser fã de futebol para ligar o Ri e o Ro Fenomenal. Há um consenso universal, creio eu, que confirma que esses dois artistas nasceram predestinados a embelezar a arte do futebol.

Os dois são da década de 70, com histórias familiares paralelas, ou seja, oriundos de famílias carentes que tinham dificuldades para alimentar suas “crias”. Mas, como já dizia o seu Romildo Vítor: onde comem quatro, comem cinco.

Na ascensão ao futebol não foi diferente, o que quer dizer que enquanto os pais apostavam nos seus filhos como talentos da bola, as mães impunham-se e preferiam que eles deixassem de lado a “malandragem” e levassem a sério os livros.

Um deles, nascido precisamente hoje, 19/04/1972, na capital de Pernambuco, Recife. Foi o terceiro filho de Marluce e Romildo Vítor. Menino pobre, desde pequeno teve que trabalhar, juntamente com seus dois irmãos mais velhos para ajudar na economia da família. Além da escola, o trabalho, e além de ambos, estava a paixão pelo esporte mais visto e emocionante do mundo.

O outro veio ao mundo no dia 26/09/1976 no Rio de Janeiro. Este, por coincidência, também veio a ser o terceiro filho da D. Sônia e o seu Nélio. Ele, um carioca, desde sempre, apaixonado pela bola e negligente na escola, talvez, tenha reconhecido, desde pequeno, o dom que era só seu.

Rivaldo Vítor Borba Ferreira, grande Rivaldo! Pernambucano, nordestino, brasileiro que levou ao delírio milhões de torcedores fanáticos e não fanáticos pelo seu bom futebol, pelos seus gols, passes, ginga, ritmo e ousadia em campo. Considerado por muitos o melhor jogador brasileiro da Copa de 1998 e merecedor do prêmio de melhor jogador da Copa de 2002.

Quatro anos mais tarde, Ronaldo Nazário de Lima – Ronaldo Fenômeno, flamenguista de coração e hoje balançando a rede a favor do Timão! – O Brasil, que já gritara o seu nome na copa de 1994, quando ele apenas no banco estava. Por que será? Por todos os clubes que passou deixou marcas de goleador, fez torcedor “virar a casaca”, fez milhões chorarem diante de uma convulsão. O Ronaldo provou que no futebol tem-se 7 ou mais vidas, que lesão, peso, escandalos, amores vêm e passam…

O mais velho, Rivaldo, passou por grandes times brasileiros, como o Corinthians (atual de Ronaldo) e o Palmeiras. Na Europa, destacou-se no Deportivo La Coruña e, um ano depois, o Barcelona comprou o seu passe, com o objetivo de que ele substituísse o Ro Fenomenal, outra coincidência. Por incrível que pareça, Rivaldo foi simplesmente espetacular. Ganhou no Barça méritos, prêmios, títulos e milhões. Depois, veio o AC Milan onde, infelizmente, não fez grandes exibições, seguido do Cruzeiro (volta ao futebol brasileiro). Voltou ao campeonato europeu na Grécia, no time do Olympiakos. Lá, obteve novamente sucesso, comemorando títulos, dando alegria e fazendo o que todo mundo quer – gols. Para além de gols, Rivaldo é simplesmente um gênio da bola! Ele sabe jogar bonito, ele sabe que futebol é arte e que ele é Rivaldo. Para mim, um dos melhores jogadores do mundo, do planeta. Eu sou Rivaldo!

Ro, por sua vez, também trilhou uma carreira brilhante. Foi descoberto no Cruzeiro, único grande clube brasileiro que jogou antes de ir-se para a Europa. Assim sendo, aterrizou no PSV Eindhoven (Holanda), onde permaneceu somente um ano, depois o Barça… (Barça é o palco das estrelas, como já escreveu minha mãe)… Tal como Rivaldo, conquistou prestígio, admiração e mais uns milhões. Seguiu do Barça para o Inter de Milão e, com isso, mais títulos. Retornou à Espanha. Desta vez, no arqui-rival do Barça, Real Madrid, permanecendo aí cinco anos, deixando os seus adversários loucos e conquistando mais fãs ao redor do mundo. Ronaldo virou uma instituição. Eu sou R9!

Em 1998, Mundial da França,o Brasil coloriu-se de verde e amarelo. Gritamos : É PENTA BRASIL!!!!!

A imprensa mundial tinha um foco: a seleção brasileira (o que não é novidade!). E, por sua vez, esta trazia a dupla maravilhosa, que dela tanto esperávamos. Rivaldo e Ronaldo fizeram um belo trabalho, animaram o povo brasileiro a gritar mais e mais pelo Penta e a acreditar que era possível. Simplesmente, estava nas nossas mãos, ou melhor, nos pés deles, afinal, eles precisavam finalizar e fazer o que eles melhor sabem, bom futebol e, evidentemente, gols.

O Brasil foi a final contra a seleção anfitriã, a França. O resultado foi o que todos não esperavam, a França triunfou, enquanto que nós, brasileiros, nos quedamos perplexos diante dos acontecimentos sucedidos antes e durante aquela grande partida. Porém, não cabe a esse texto relatá-los.

Meu dever aqui é sobressaltar a genialidade desses dois craques.

Atualmente, Rivaldo joga no futebol asiático, no time de Bunyodkor do Uzbequistão, enquanto que Ronaldo retornou ao Brasil, para defender o Corinthians.


Naiara Soares